E ele dizia coisas sem sentido
Enquanto procurava
um sentido para a vida
E o vento frio batia
Mas ele nem mais sentia
Em seu peito adormecido
Na verdade ele sabia que
Tudo poderia ser diferente
Quando sua cúpula de cristal se quebrou
No seu peito se fincou os estilhaços
na forma de um coração
Seu mundo de porcelana espatifou
só lhe sobrou de cacos os pedaços
Quando o chão se abriu sob seus pés
revelando o grande abismo
onde deveriam haver raízes
E tudo se tornou inconstante
Mas ninguém via
não era nada importante
Pintaram aquela ovelha de negro
E sujaram as mãos de tinta
Retrataram e julgaram seus erros
mas ninguém socorreu seu desespero
Não houve quem pudesse salvar
Dessa dor que atordoa
Que não se pode comparar
com qualquer dor da carne
Como o mundo pode ser tão cruel
E a tinta ainda está nas mãos de quem pintou
Como arrancar do peito
Toda essa dor?
Entorpecer a vida
para que o amargo pareça doce
engolir o fel
amargo e rasgante
fingindo que se é doce como mel
Achar a saída escondida
para o seu colo amoroso
Eu sei que é tão sensível
debaixo de todo esse desgosto
Fingir que tudo é possível
ver seus olhos brilhar
Voe com suas asas
até onde sua mão possa alcançar
Ande até seus pés ficarem descalços
onde eles puderem descansar
vá sem rumo, ao léu...
Quando se torna sem querer...
Mais Pesado Que o Céu...