domingo, 24 de março de 2013

Infortúnios Atemporais



E ali, ao lado dele
No chão, eu dormi
Na verdade eu também
Não tinha para onde ir
calçada gelada, madrugada fria
Rua escura e vazia
Meus pés descalços
para a cabeça repousar
em apenas um ressalto

A inconstância perturbadora
Vida infortúnia, ironicamente duradoura
Você foi meu calor amigo
No meio do caos um abrigo
Um para o outro mesmo perdidos
Naquela madrugada sem fim
Eu fui seu braço estendido
Para os problemas não esquecidos

Até que finalmente se pudesse ver
Por entre os vales negros
Os primeiros raios a aparecer
O mais profundo suspiro, alegremente
Poder ver o sol nascer

Caminhar pelas ruas ainda frias
Com tudo aquilo sufocado na garganta
e os olhos desvanecidos e lúgubres
Aquela breve partida
Sem se dar conta do que viveu

Confusão que nunca acaba
Tentando encontrar a saída
A esperança na luz do novo dia
Seguindo seu rumo 
aquela breve despedida...


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